Help those suffering in the Horn of Africa

30 março 2011

O Lado Escuro da Comida, Parte II - Revista Super

Continuação do post anterior, com a matéria da reportagem de Claudia Carmello em Superinteressante, dez/2010.

IMORAL E ENGORDA

O Rei estava certo quando disse que tudo o que ele gosta é imoral, ilegal ou engorda. Comida gostosa, mas gostosa mesmo, viciante, só é boa porque é calórica - os aspargos que nos perdoem, mas gordura e açúcar são fundamentais. Não para a saúde, mas para o cérebro. Ele gosta mesmo é de porcaria. Nosso cérebro nos recompensa com doses de dopamina cada vez que comemos algo bem calórico, energético. É que no passado isso era questão de sobrevivência - havia pouca comida disponível, então quanto mais calórica ela fosse, melhor. A massa cinzenta dá essa mesma recompensa dopamínica depois do sexo ou de drogas pesadas. Por isso mesmo basta experimentar qualquer uma dessas coisas uma única vez para ter vontade de repetir. Com comidas energéticas, recheadas de carboidratos ou gorduras, não é diferente, você sabe. É impossível comer um só.

E a indústria dos alimentos se formou justamente em torno das comidas que mais liberam dopamina. Isso começou no final do século 19, com o início da produção em massa de açúcar e farinha de trigo refinados. Refinar uma planta significa estirpá-la de suas fibras, proteínas, minerais e deixar só o que interessa (pelo menos do ponto de vista do cérebro): carboidrato puro, energia hiperconcentrada. Depois vieram conservantes mais potentes (como o antiespumante e o antioxidante lá do nugget) e o processamento artificial, com máquinas que transformam carcaças de bichos e um monte de subprodutos de milho e de soja em coisas bonitas e de sabor viciante. Começava a era da comida industrializada. A nossa era.

E a produção de alimentos nunca mais seria a mesma. O cérebro do consumidor guia a indústria dos alimentos. Esse cérebro prefere comida turbinada por açúcar e gordura, certo? Então a seleção natural age de novo, mas dessa vez no mercado: só sobrevive quem produz comida mais gostosa. E a mais gostosa é a gorda (olha o Robertão aí de novo!). Natural, então, que o mercado de comida processada acabasse dominado por bombas calóricas. Nosso amigo nugget, por exemplo, recebe doses extras de gordura (óleo hidrogenado de soja) e também de açúcar (a glicose). Mais do que alimentar, a função dele é dar prazer.
Mas é um prazer que pode custar caro. Um "suco natural" industrializado, por exemplo, pode ter até duas colheres de açúcar para cada 200 mililitros. Nosso corpo não é adaptado para suportar doses cavalares como essa o tempo todo. A produção de insulina, por exemplo, pode sobrecarregar e dar pau - e sem esse hormônio, que gerencia o processamento de açúcar no organismo, você se torna diabético.
Nos EUA, 1 em cada 10 adultos tem diabetes - duas vezes mais do que em 1995. E a perspectiva é que essa proporção triplique nas próximas décadas, agora que 1,6 milhão de novos casos são diagnosticados por ano. Para completar, 70% da população é considerada acima do peso. E nós aqui no Brasil estamos indo por esse caminho. Quanto mais a economia cresce, maior fica a nossa cintura. No meio dos anos 70, quando o IBGE mediu pela primeira vez o peso da população, 24% dos brasileiros estavam acima do peso. Hoje são 50%.
O aumento de peso pode ser o resultado mais visível de uma dieta inadequada. Mas quem está na parcela sem pneuzinhos da população também corre riscos. Principalmente por causa de outro ingrediente-chefe da comida industrializada: o sal. "A maior parte do sal que a gente consome não está nos saleiros, mas nos alimentos processados" diz Michael Klag, diretor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade John Hopkins, nos EUA. O sal é adicionado para ajudar a preservar o produto e, principalmente, reforçar o sabor. E ele acaba onde você menos espera. Está nos cereais de café da manhã e até nos achocolatados - para deixar o chocolate menos enjoativo.
A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de, no máximo, 6 gramas de sal por dia para evitar pressão alta - e as doenças que ela causa. Os brasileiros comem o dobro disso. De acordo com a Ação Mundial pelo Sal e pela Saúde, uma organização que reúne membros em 81 países para tentar diminuir o consumo global de sal, se a população mundial comesse apenas os tais 6 gramas de sal por dia, haveria 24% menos casos de ataques cardíacos pelo mundo e 18% menos derrames.
Os hábitos alimentares de hoje podem estar contribuindo também para um aumento de alergias alimentares e doenças intestinais. Para você ter uma idéia, o número de pessoas internadas em hospitais por causa de alergias nos EUA quadruplicou entre 2000 e 2006 (de 2600 para 9500 pessoas por ano). O maior suspeito aí é a falta de fibras da comida industrializada.

Uma pesquisa liderada por Paolo Lionetti, da Universidade de Florença, analisou a flora intestinal de crianças italianas e comparou com a de garotos de Burkina Faso, na África, que tem uma dieta rica em fibras e nunca viram comida processada. Então descobriu que as crianças africanas tinham uma flora intestinal mais variada, capaz de protege-las de uma série de doenças. "Acredito que a dieta dos países ocidentais tem um papel importante no aumento das alergias e infecções intestinais", diz Paolo.

Os nuggets, pizzas congeladas e cia. não são o único problema. A comida reconhecidamente saudável também tem os seus pontos fracos. Dados dos governos americano e inglês mostram quedas nas quantidades de ferro, vitamina C, riboflavina, cálcio, zinco, selênio e outros nutrientes em dezenas de colheitas monitoradas desde os anos 50. Hoje, você tem que comer 3 maçãs para ingerir a mesma quantidade de ferro, por exemplo, que uma maçã fornecia. São várias as razões que poderiam justificar esse fenômeno. Parte da explicação pode vir dos critérios que usamos no melhoramento genético, selecionando variedades de milho, soja e outras plantas segundo a produtividade, não a qualidade nutricional. Pior: nossas plantas criadas à base de fertilizantes, como rescem muito mais rápido, tem raízes menores e menos tempo para acumular nutrientes além daqueles que vem no próprio fertilizante. Mais: poupadas de lutar contra insetos pelo uso de pesticidas, estariam produzindo menos polifenóis - substâncias que usam como mecanismo de defesa e que nos beneficiam por suas ações anti-inflamatórias e antialérgicas.

26 março 2011

O Lado Escuro da Comida, parte 1 - Revista Super Interessante

Este texto da reportagem de Claudia Carmello em Superinteressante, dez/2010. Obrigada ao blog 'Viver Sustentável', por disponibilizá-lo. Vou publicar a reportagem em vários posts, divididos por assunto. Se chegou na Super Interessante, é uma boa notícia, pois é uma revista bastante lida no Brasil, quem sabe mais pessoas se conscientizam dos problemas que se seguem. Boa leitura.

Frango. Água. Maisena modificada. Soda para cozimento. Sal. Glicose. Ácido cítrico. Caldo de galinha. Fosfato de sódio. Antiespumante dimetilpolissiloxano. Óleo hidrogenado de soja com antioxidante TBHQ. Isso agregado a mais 26 ingredientes é o que conhecemos pelo nome de nugget. A receita é produto de um sistema que faz de lasanha congelada a tomates mais ou menos do mesmo jeito que se fabricam canetas, ventiladores ou motos. É a agropecuária industrial. Ela começa nos combustíveis fósseis. Petróleo carvão ou, mais comum hoje, gás natural são a matéria-prima dos fertilizantes. E os fertilizantes são a matéria-prima de tudo que você come hoje, seja alface, seja dois hambúrgueres, alface, queijo e molho especial - no pão com gergelim.

Sem eles para anabolizar as plantações, não haveria comida para todo mundo. O problema é que, com eles, podemos ficar sem o mundo. "Na porteira da fazenda, ainda antes do uso, um saco de 100 quilos de fertilizante químico já emitiu 4 vezes esse peso em CO2 para ser fabricado. Depois que aplicam no solo, pelo menos 1 quilo daquele nitrogênio (elemento principal do fertilizante) é liberado para o ar em forma de óxido nitroso, um gás quase 300 vezes pior para o aquecimento global do que o CO2", diz o agrônomo Segundo Urquiaga, da Embrapa. Nessa toada, a agropecuária consegue emitir sozinha 33% dos gases-estufa do mundo, mais do que todos os carros, trens, navios e aviões juntos, que somam 14%.

VOCÊ É FEITO DE MILHO E SOJA

Os empanados de frango são um dos ícones da indústria de alimentos, baseada, como qualquer outra, em mecanização, uniformização, produtividade. Essas exigências levam a um fato curioso: há quase 40 ingredientes diferentes em um nugget, mas 56% dele é milho.
A maisena é farinha de amido de milho - o ácido cítrico, a dextrose, a lecitina, tudo é feito com moléculas desse grão. Ou com os grãos de soja, dependendo do que estiver mais em conta no mercado de commodities agrícolas (pensando bem, até a galinha é feita de milho e soja - é isso que ela come de ração). Metade da área plantada no Brasil é dominada pela soja, que aparece em 70% dos alimentos processados. E um terço das plantações americanas são lavouras de milho. Isso acontece porque soja e milho produzem mais calorias que a maioria das plantas; são resistentes ao transporte e a anos de estocagem, entre outras vantagens competitivas.
Mas qual é o problema de chegar a essa variedade de comida com apenas dois grãos? Os bois podem dar uma primeira resposta.

No mundo desenvolvido, praticamente toda a carne sai das fazendas de confinamento - galpões onde os bois passam a vida praticamente empilhados uns nos outros, só engordando. Nesses galpões, a comida do boi não é capim, mas ração à base de milho e soja. O inconveniente é que ele não come grãos. Industrialmente falando, um boi é uma máquina que transforma celulose de capim (algo que o nosso organismo não digere) em proteína comestível - a carne dele. Mas campim é bem menos calórico que milho e soja. Para ele crescer rápido e ir logo para o corte, tem que ser ração mesmo. Só que o metabolismo do bicho pena para processar tanta comida indigesta. A fermentação dos grãos no sistema digestivo dele pode causar um inchaço do rúmem (o estômago do boi) que pressiona os pulmões e pode matar o animal. Para combater isso, os criadores enchem os bois de antibiótico: 70% dos antimicrobiais usados nos EUA são misturados às rações de animais. O problema é que isso cria superbactérias resistentes a antibióticos. É Darwin em ação: os antibióticos nem sempre matam todas as bactérias. Às vezes sobram algumas que, por mutação genética, nasceram imunes ao remédio. Sem a concorrência de outras bactérias, elas se reproduzem à vontade. Nasce uma cepa de micro-organismo mais resistente a qualquer antibiótico. Ela pode ser letal. Ainda mais se for parar na prateleira do supermercado.
Foi o que aconteceu com uma variedade agressiva de Escherichia coli. Em 2001, o garoto americano Kevin Kowalcyk, de 2 anos de idade, comeu um hambúrguer contaminado por essa bactéria e morreu 12 dias depois. O caso produziu algo inusitados: um recall de hambúrguer.

No Brasil isso não é um problema. Só 6% do nosso abate vem de confinamentos, contra 99% nos EUA. Aqui os bois ficam soltos. Bom para eles, pior para as bactérias. Mas pior também para as florestas. Nossos pastos são formados às custas de desmatamento da Amazonia e do cerrado. E isso leva o Brasil ao posto de 5º maior emissor de CO2 do mundo. Quase 52% dos nossos gases estufa vem do desmatamento. Para frear isso de forma realista (porque parar de criar bois e de exportar carne não tem nada de realista), a solução é o confinamento. Só que essa modalidade de criação também não é a panacéia para o ambiente. Os galpões de gado causam tantos impactos quanto uma cidade grande: lixo, esgoto, rios poluídos... Até mais, na verdade. Só os animais confinados que existem hoje nos EUA produzem 130 vezes mais dejetos do que todos os americanos juntos.
Todo esse cocô vai para grandes lagos de esterco, que servem de parque aquático para bactérias: elas podem passar desses lagos para o solo de uma lavoura. Podem e conseguem. Só de recalls de vegetais contaminados por E. coli já foram 20 na última década nos EUA. Em 2009, um surto de salmonela matou 8 pessoas e adoeceu 600 por lá. Grave. Mas não deixam de ser casos isolados. O maior problema da comida hoje é outro: o fator Roberto Carlos.

22 março 2011

Infográfico: A conta ecológica de cada país

Olha esse mapa comparando a pegada ecológica de cada país com a sua biocapacidade. Vejam o Japão, com a pegada quase 8 x maior que sua biocapacidade. Nós, o restante da América Latina, Canadá  e alguns países da África ainda estamos bem.. Mas quem vai pagar a conta do restante? Clique no mapa pra ir pra imagem no tamanho original.



19 março 2011

Por Olivier De Schutter - Devemos parar de investir em etanol

Olivier De Schutter, rapporteur especial da ONU para o Direito à Alimentação, falou a revista Época sobre a produção de biocombustíveis, uma das principais bandeiras do governo Lula, que também seria um entrave, na opinião do especialista em direitos humanos.



  O senhor defendeu o congelamento da produção de biocombustíveis para evitar a crise dos alimentos. Eles são a causa dessa crise?
Olivier De Schutter – Certamente, a produção de biocombustíveis nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil e em outros países não é a única causa dessa crise mundial. Mas, com certeza, é uma delas, ao lado de outros fatores, como a especulação dos preços no mercado. Peço o congelamento da produção porque os biocombustíveis não são tão bons para o meio ambiente como se dizia e porque, se expandirmos o número de propriedades fabricando combustível para carros, teremos menos espaço para produzir alimentos.

Esse pedido vale para todos os biocombustíveis, incluindo o álcool de cana-de-açúcar feito no Brasil?
De Schutter – Quero ser bem claro, porque houve muita confusão sobre isso. Não estou pedindo a reversão das políticas que temos agora. No Brasil, se não me engano, 54% do consumo de combustível é de etanol. Seria completamente irreal e teria impactos sociais muito negativos se o Brasil, de repente, decidisse parar a produção de biocombustíveis. É impensável para mim. Nós devemos, basicamente, não avançar nesse setor. Devemos congelar novos investimentos, especialmente nos Estados Unidos e na União Européia. Ambos começaram a s produzir biocombustíveis muito mais tarde, enquanto o Brasil desenvolve a tecnologia desde os anos 1970. Na União Européia e nos Estados Unidos é um fenômeno muito mais recente, e ambos criaram objetivos extremamente ambiciosos que, acredito, deveriam ser abandonados. Por isso, falo em um congelamento, e não em uma moratória. A moratória pararia a produção e o congelamento pararia a expansão e os novos investimentos no setor. 
 
Seu antecessor, o suíço Jean Ziegler, deixou o cargo dizendo que a produção de biocombustíveis é um “crime contra a humanidade”. O senhor concorda?
De Schutter – Não concordo, não acho que é uma caracterização correta, mas, como disse, acho que os objetivos traçados por União Européia e Estados Unidos são irreais e o prejuízo ao meio ambiente é maior que o benefício de combater as mudanças climáticas. A cana-de-açúcar do Brasil não é tão ruim, especialmente do ponto de vista ambiental, como o uso do milho ou de óleos vegetais, mas minha preocupação é que essa terra esteja sendo usada para produzir combustível, e não comida.

O senhor tem planos para visitar o Brasil e conhecer melhor as propostas do país neste setor?
De Schutter – No momento não tenho planos de ir ao Brasil, mas gostaria de ir durante minha permanência no cargo. Estou em contato com autoridades brasileiras e me prometeram que vão mandar as informações sobre o programa de biocombustíveis brevemente, e vou estudá-las com muito interesse.

Ao assumir o cargo, a primeira opinião que o senhor tornou pública foi a oposição à produção dos biocombustíveis. O senhor tem esperança de que a comunidade internacional atenda a esse pedido?
De Schutter – É realista o que proponho sobre os biocombustíveis. Não quero questionar a política atual ou a produção atual, mas, sim, não ir adiante. É relativamente fácil renunciar a objetivos como o americano, de multiplicar por cinco a produção de hoje até 2022, porque isso simplesmente significaria não ir além do uso atual dos biocombustíveis.

Muitos apontam os subsídios agrícolas pagos por Estados Unidos e União Européia como uma das grandes causas da atual crise. O senhor concorda com essa avaliação?
De Schutter – Em primeiro lugar, é claro que os enormes subsídios pagos por países industrializados a agricultores (só na Europa somaram 55 bilhões de euros em 2007) devem ser diminuídos significativamente porque tornam extremamente difícil para os agricultores de países em desenvolvimento a expansão dos negócios, a venda da produção no mercado internacional e a competição em condições aceitáveis. Estou muito feliz por ouvir que o lobby da agricultura está sendo cada vez mais criticado por manter essa prática. Em segundo lugar, no entanto, não podemos esquecer que vários países em desenvolvimento, muitos da África Subsaariana, alguns dos menos desenvolvidos, são importadores de comida. Se removermos os subsídios sem medidas compensatórias, poderá haver um impacto ruim para essa população, tornando a comida mais cara. É preciso remover os subsídios, mas ter contrapartidas, como programas sociais que permitam a produção de alimentos nesses países que, agora, são importadores.

Que caminho se deve seguir para evitar novas crises como essa?
De Schutter – Precisamos de dinheiro para a agricultura dos países em desenvolvimento. Nesses países, existe uma margem de produtividade que pode ser usada para aumentar a produção mundial, com muito menos dinheiro do que seria necessário em países industrializados ou mesmo em países muito desenvolvidos no setor de agricultura, como é o caso do Brasil. Investir na plantação de alimentos em países em desenvolvimento é algo que nós não fizemos de forma suficiente nos últimos 20 anos. E uma das razões de o preço estar aumentando como agora é o fato de a produção não ser capaz de igualar a demanda, que está crescendo em vários países, incluindo economias emergentes, como Índia, China e Brasil.
 

15 março 2011

Infográfico - Consumo mundial de café

Olha que legal o infográfico abaixo sobre café. Adivinha quem são os campeões mundiais em consumo? Finlândia. 12 kg/ano. Nas Américas, o Brasil ultrapassou os EUA, com 5.6 kg/ano, porém ainda perde para o Canadá, que consome 6.2 por pessoa por ano.  veja que interessante o fato que a Colômbia, grande produtor e divulgador de café pelo mundo, consome apenas 1.8kg por pessoa/ano... É só clicar no mapa que ele começa a interagir com vc. Have fun.



via chartsbin.com

11 março 2011

Produção Sustentável pode Alimentar o Mundo? Por Mark Bittman

Mark Bittman, colaborador do The New York Times, publicou o artigo abaixo mostrando uma opinião claramente a favor da agricultura sustentável como modo de nos salvar do caos atual. Aqui vai o artigo, numa tradução livre. Ele provocou reações calorosas, de leitores de todas as partes da sociedade.



          O argumento mais comum e antigo contra a agricultura orgânica é que ela nao pode alimentar toda a população do mundo. Isso, entretanto, é uma suposição, não um fato. E a agricultura industrial não está desempenhando perfeitamente, também: o índice global de preços de alimentos está em uma alta recorde, e nosso sistema agrícola está destruindo não somente a saúde dos humanos mas a da terra. Há em torno de 1 bilhão de pessoas subnutridas, e também podemos agradecer o sistema atual pelo outro bilhão de pessoas que estão acima do peso ou obesas.
         Mas, há boas notícias: um número crescente de cientistas, painéis políticos e experts (e não hippies) estão sugerindo que práticas agrícolas bem próximas da agricultura orgânica - talvez melhor chamada sustentável - podem alimentar mais pessoas em necessidade em breve, começar a reparar os danos causados pela produção industrial, e no longo termo, se tornarem a norma.
        Recentemente, Olivier de Schutter, repórter especial da ONU para o "Right to Food", apresentou um relatório "Agro-ecology and the Right to Food". ( Agro ecologia, ele disse em uma entrevista ao telefone, tem muito em comum tanto com "sustentável" tanto com "orgânico"). Entre suas recomendações, a principal é essa: "A agricultura deve ser fundamentalmente redirecionada para modos de produção que são mais ambientalmente sustentáveis e socialmente justos". Ele diz que a Agroecologia ajuda imediatamente "pequenos agricultores que devem estar aptos a trabalhar de maneira menos cara e mais produtiva". Mas os benefícios são pra todos nós, porque ela desacelera o aquecimento global e a destruição ecológica. Além disso, ao descentralizar a produção, enchentes no Sudoeste da Ásia, por exemplo, não vão causar quedas enormes na produção de arroz mundial. Produção em pequena escala faz o sistema ficar menos susceptível a choques climáticos. (Chamar isso de sistema é uma convenção, na verdade tudo isso é anárquico, todas essas pessoas morrendo de fome e ao mesmo tempo as com sobrepeso/obesidade, anulando umas às outras).
              Agricultura industrial (ou "convencional") requer um grande montante de recursos, incluindo quantidades desproporcionais de água e combustíveis fósseis que são necessários para fazer fertilizantes químicos, trabalhar a terra  e as plantações mecanicamente, manejar sistemas de irrigação, aquecer prédios, e claro,  no transporte. Isso significa que ela precisa mais de recursos que a terra tem pra prover de volta. (Fato Divertido/Depressivo: levam-se 18 meses pra terra decuperar o montante de recursos que usamos por ano. Olhado por outro lado, precisaríamos 1,5 terra para ser sustentáveis na nossa atual taxa de consumo).
           A Agroecologia e métodos relacionados vão requerer recursos, tambe'm, mas eles são mais na forma de trabalho, tanto intelectual - muita pesquisa ainda precisa ser feita na área - e físico: o mundo vai precisar de mais agricultores, e bastante possivel, de menos mecanização. Aqueles que trabalham pra melhorar a agricultura convencional, estão cada vez mais emprestando técnicas da agricultura orgânica (sistemas híbridos).
           Atualmente, no entanto, é difícil ver progresso num país (* EUA * )  onde, por exemplo, quase 90% da produção de milho é ou usada pra etanol (40%) ou alimentar animais (50%). E a maioria dos aderentes da agricultura industrial - tristemente, isso incluí geralmente o Congresso, que ignora esses problemas em grande parte - agem como se fôssemos "fixar" o aquecimento global e a mudança climática resultante. Eles assumem que ao aumentar a oferta, nós eventualmente vamos descobrir como alimentar todo mundo na terra, mesmo que não o façamos agora, nossa população vai ser de 9 bilhões em 2050, e mais oferta das coisas erradas - petróleo, milho, carne - apenas piora as coisas. Muitos acreditam que não vamos ficar sem recursos, e que precisamos manter esse sistema funcionando.
         Para explicar alguns obejtivos óbvios: Nós precisamos de uma perspectiva global, o reconhecimento (moral) de que alimento é um direito básico e o reconhecimento (prático) de que sustentabilidade é uma prioridade alta. Nós queremos reduzir e reparar danos ambientais, reduzir a produção e o consumo de alimentos que utilizam muitos recursos, aumentar a eficiência e fazer alguma coisa em relação às sobras. Alguns estimam que 50% de toda a comida é perdida. Uma dieta sensível e nutritiva para todos nós é essencial, muitas pessoas vão comer melhor, e outras até vão comer menos produtos animais, o que também se traduz em comer melhor.
        De Schutter e outros que acreditam que os objetivos do parágrafo anterior, dizem que a agricultura sustentável deve ser a escolha imediata para países subdesenvolvidos, e que até mesmo países desenvolvidos devem tomar apenas os melhores aspectos da agricultura convencional, deixando o restante pra trás. Pouco tempo atrás, o governo do Reino Unido publicou o relatório "The Future of Food and Farming", que condena o sistema que usa recursos em demasia (apesar de ser decididamente pró - OGM) e encoraja o sustentável, o que levou De Schutter a dizer que esses estudos demonstram que a agricultura sustentável pode mais que dobrar sua produção em apenas alguns anos.
         Ninguém sabe quantas pessoas podem ser supridas dessa maneira, mas um número de experts e estudos - incluindo aí ONU, University of Michigan e WorldWatch - parecem estar se alinhando ao sugerir que agricultura sustentável é um sistema pelo que mais pessoas devem optar. Para nações em desenvolvimento, especialmente aquelas na África, a mudança de tecnologia intensiva pra baixa tecnologia pode acontecer muito rapidamente, segundo De Schutter. "É melhor fazer a transição em lugares que ainda tem uma direção a tomar". Mas, ele acrescenta, "em regiões desenvolvidas, a mudança no sentido contrário ao modo industrial vai ser difícil de se consolidar". Mas no fim, até os países viciados em fertilizantes químicos devem mudar.
        "Nós temos que mover na direção da produção sustentável", ele disse. Nós não podemos depender nos campos de gás da Russia ou nos estoques de petróleo do Oriente Médio, e não podemos continuar a destruir o meio ambiente e acelerar as mudanças climáticas. Nós devemos adotar as técnicas de produção mais eficientes que estão disponíveis". E essas, ele acrescenta, são sustentáveis, e não industriais.

Matéria original do The NY Times: aqui

07 março 2011

Infográfico - bebidas de café

Tá bom, tá bom... prometo que é o último post seguido que falo sobre café... Só vejam que legal esse infográfico (mais um) sobre os componentes das bebidas de café...


Fonte: Geekosystem

03 março 2011

Aplicativo sobre café

Ei, você aí que tem iPod, iPad, iPhone. O aplicativo da Intelligentsia Coffee discorre sobre os cafés do mundo que estão disponíveis pra venda na loja, além de ensinar o usuário a fazer o café da maneira que preferir (espresso, prensa francesa, coador, etc). Que maravilha, hein.



Fonte: itunes