Help those suffering in the Horn of Africa

26 abril 2011

A vida secreta dos ingredientes - Revista Vida Simples

 
Leia essa reportagem da Revista Vida Simples, de Marcelo Träsel, sobre o livro Twinkie, Deconstructed (o título remete a um bolinho - twinkie - que é sucesso na dieta dos americanos). Concordo com o autor, comida de verdade é a que conseguimos pronunciar os nomes, que as crianças reconhecem, que sabemos de onde vem. O resto é muito arriscado. O custo = nossa saúde.

Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)

Você continua a comer Twinkies depois de conhecer seus ingredientes?
Não. Estou muito mais interessado em alimentos locais e integrais. É claro que eu já conhecia essas opções. Vivi na França por um tempo e trabalhei como cozinheiro, então eu gosto de comida de verdade. Mas agora definitivamente é algo de que preciso em minha vida. Após escrever o livro, fiquei ainda mais fã dos agricultores locais.

A comida processada é mesmo tão ruim para nós?
Essa pergunta exige uma resposta muito longa. O termo “comida processada” é amplo e pode designar muitos tipos de comida. Qualquer coisa salgada, como o bacalhau, é processada. Qualquer coisa cozida é processada, na verdade. Além disso, nós precisamos de alimentos industrializados para viajar. É por isso que a comida processada tem nos acompanhado por eras. É por isso que as pessoas inventaram o salgamento e a defumação. Isso nos deu maior liberdade de movimentação e é o que nos permitiu chegar ao século 21. No entanto, creio que há um problema quando as pessoas consomem muita comida de conveniência, especialmente salgadinhos e doces, porque elas não fornecem boas calorias, estão repletas de gordura, sódio e açúcar. O consumo desse tipo de “bobagem” deve ser diminuído. Outro ponto problemático é o grande aparato industrial necessário para produzir os ingredientes desse tipo de comida. No livro, eu exploro a origem de todas essas coisas e descubro que a maior parte da comida industrializada é feita com ingredientes que vêm de grandes petroquímicas e fábricas de químicos básicos. Veja só: 14 dos 20 produtos químicos mais usados nos Estados Unidos fazem parte direta ou indiretamente da receita do Twinkie.

Por que isso é ruim?
Primeiro, esses alimentos dependem de produtos químicos vindos do petróleo. A alta do preço do petróleo é um problema, mas não só: um dia, ele vai acabar. Segundo, esses produtos químicos são usados para produzir soja e milho, os principais ingredientes dos alimentos industrializados. De fato, oito dos ingredientes do Twinkie vêm do milho. Terceiro, é um problema depender da soja, que é importada, grande parte dela do Brasil, inclusive. Se esses produtos dependem de insumos que se tornarão mais caros ou mais raros no futuro, isso é um problema. Além disso, esse tipo de produção extensiva tende a degradar o solo. Provavelmente seria melhor para todos se usássemos menos químicos para produzir comida. Nós pagamos subsídios com nossos impostos, especialmente à indústria petroquímica, para fazer herbicidas, pesticidas e fertilizantes, que permitem produzir essa comida e vendê-la com o apoio do governo a preços artificialmente baixos.

No livro, você afirma que diretores e funcionários do setor não quiseram dar declaracões. Por que a indústria alimentícia é avessa à transparência?
Acho que eles tiveram muitos problemas no passado com pessoas apontando quanta ajuda o governo oferece a essa indústria e o quanto a comida produzida é ruim para a saúde, em contrapartida. Eles também sabem que, mesmo incentivando o consumo de novos produtos, como barras de cereais, aparentemente bons para a saúde, na verdade você pode comer castanhas e frutas e ficar bem satisfeito. Comida fresca não dá dinheiro para a indústria alimentícia. Então, a única maneira pela qual eles podem fazer dinheiro é adicionando algo pelo qual se tenha de pagar, como uma embalagem atraente. Veja os flocos de milho. As empresas ganham muito mais vendendo cereais matinais do que vendendo milho. Então, quanto mais nós discutimos e aprendemos sobre isso, pior é para a indústria. Não vale a pena para eles informar o consumidor.

Os governos estão fazendo esforcos no sentido de informar o cidadão sobre a alimentacão?
Esse será um ponto interessante a observar com o nosso novo presidente. Ele está recebendo muita informação de pessoas que, como eu, estão envolvidas em educar o consumidor sobre comida e alimentação saudável. Em particular, pessoas que promovem o consumo de alimentos integrais e produzidos localmente, frutas e vegetais e assim por diante. Há gente pedindo a ele que plante um jardim orgânico no quintal da Casa Branca. Algo assim não aconteceria no governo Bush nem aconteceu em outros governos. Nixon e Reagan fizeram tudo o que puderam para dar apoio através de leis e dinheiro a grandes companhias de processamento de milho e soja. Essas companhias, por sua vez, encorajaram os agricultores a plantar apenas um ou dois tipos de grão em fazendas enormes. No passado, as fazendas produziam diversos tipos de vegetais e frutas. Alguns agricultores estão voltando a fazê-lo. É nesse sentido que Barack Obama ajudará a mudar o envolvimento do governo americano na agricultura. Por sinal, temos um ministro da agricultura, mas há um movimento para mudar o título da pasta para Ministro da Alimentação e Agricultura. Acho que essa é uma grande ideia.

Qual foi a reacão de seus filhos quando você explicou a eles de onde vem o polissorbato 60?
Na verdade, eles nunca gostaram de Twinkie. Em todo caso, eles não ficaram nada animados com os processos industriais envolvidos. (risos) Acho que, sem ter de treinar muito, eles sempre vão preferir comer uma maçã ou um iogurte no lugar de uma bobagem dessas.

LIVRO:  Twinkie, Deconstructed, Steve Ettlinger, Penguin/USA

Fonte: Vida Simples

21 abril 2011

Batata Frita sustentável: nova tacada do McDonald's




 A maioria das pessoas que vai comer um número no Mc nem pensa de onde veio o hamburguer, a batata, tomate, picles, etc.  Mas aparentemente, o Mc Donalds pensa. Eles anunciaram recentemente um Compromisso com o manejo da terra sustentável, para que trabalhem com seus fornecedores de maneira a garantir que seus produtos brutos (carne, frango, café, óleo vegetal e embalagens) venham de fontes sustentáveis.

Em parceria com a WWF, as 5 categorias acima foram escolhidas como ponto de partida pro programa. A principal prioridade do Mc agora é "limpar" sua cadeia de suprimentos de carne. A empresa reconheceu que a produção de carne tem um impacto monumental no meio ambiente, e eles têm papel importante pra reduzir este impacto, dado o volume que comercializam. Em termos práticos,  eles vão rastrear e ajudar a reduzir as emissões de CO2 de fazendas, e desenvolver um programa para certificar carne sustentável na região Amazônica, e certificar que nenhum suprimento vem de áreas de deflorestamento.
 
Em seguida, vem a cadeia do frango, e mais especificamente, o impacto da ração das aves (que leva muita soja), e mais uma vez, o deflorestamento de regiões amazônicas para cultivo da soja. A empresa ainda pretende comprar todo seu óleo de palma de fontes certificadas sustentáveis até 2015.

Em tempo: lembram do movimento que o GreenPeace fez contra a Nestlé, quando descobriu que ela estava comprando palma de produtores que desmatavam as florestas asiáticas? A empresa atacou um produto de renome, o Kit Kat, para conseguir alarmar os consumidores. A Nestlé reconheceu a falha e se desculpou com o público. Veja toda a história aqui.


Logicamente que não podemos esperar que o Mc sirva, daqui pra frente, suco de laranjas orgânicas, carne de gado criado a pasto, tomates sem pesticidas e etc. Se vc quer isto, procure outro restaurante pra comer. Mas esse é um avanço enorme, dado que eles são grandes influenciadores na cadeia (tanto no bom comportamento de milhares de fornecedores, quanto ao levar consigo outras cadeias de restaurantes competidoras).

Fonte: Fast Company

15 abril 2011

Pepsico lança embalagem feita de planta

A Pepsico anunciou que vai lançar uma nova garrafa feita 100% de material a base de plantas, o que, afirma a empresa, vai reduzir significamente sua pegada ecológica. A garrafa é feita de grama, pinha, milho e outros materiais. No futuro, ela pretende usar também cascas de laranja, aveia, restos de batata e outros subprodutos de suas plantas de processamento de salgadinhos. A nova embalagem parece e protege exatamente como sua predecessora, ou seja, não vai dar pra distinguir.



 A PepsiCo também afirmou que vai ser a primeira garrafa no mundo a usar um tipo de plástico PET feito completamente de materiais vegetais. A Coca Cola atualmente produz garrafas usando 30% de materias de plantas e recentemente estimou que levaria vários anos para produzir uma garrafa que use 100% destes materiais.

As embalagens de plástico tradicionais são feitas a partir de combustíveis fósseis, como petróleo, de uso limitado e custo crescente. Ao mudar pra materiais de plantas, as empresas vão diminuir seu impacto ambiental. A Pepsi diz que o novo plástico vai custar a mesma coisa que o convencional.

Além disso, a empresa, como já publicado neste blog, lançou também um salgadinho com embalagens compostáveis. Além disso, lançou o "Naked Juice", vendido em uma garrafa feita de 100% de plásticos reciclados.

A nova embalagem vai começar a ser testadas com umas cententas de milhares de pepsi em 2012. Uma vez que eles possuam tecnologia para produzí-la em escala, vai converter toda sua linha de produtos à nova tecnologia. Ponto pra Pepsico.

Fonte: Huffington Post

09 abril 2011

Transgênicos ao redor do mundo

Vejam esse mapa que mostra os países que cultivam transgênicos e quais são os principais produtos. Vejam que o Brasil, apesar de maior em território, produz praticamente o mesmo volume que a Argentina, que há muito já planta soja transgênica. Vejam também a grande resistência da União Européia (com exceção de Portugal e Espanha, que plantam milho) a plantações de sementes geneticamente modificadas. É só clicar no gráfico pra descobrir os valores e o tipo de produto plantado.


via chartsbin.com

04 abril 2011

O Lado Escuro da Comida, Parte III - Revista Super

Essa é a parte final, continuação dos 2 posts anteriores, da reportagem de Claudia Carmello em Superinteressante, dez/2010. Agora é hora de opinar. O que acharam? Chocados? 

VENENO NA FEIRA

Tão fundamentais para a agricultura moderna quanto os fertilizantes são os pesticidas.Ainda mais com as monoculturas sem fim de hoje. Imagine o que acontece quando um inseto que tem na raiz da soja seu prato preferido topa com hectares e mais hectares onde só existe essa planta? Ele não arreda mais o pé dali, se reproduz vertiginosamente e traça tudo o que vê pela frente: eis uma praga agrícola. Elas não são novidade. Mas claro que, com a demanda por alimentos que existe hoje, seja ou não comida industrializada, não dá para abrir mão deles.
No Brasil, menos ainda. O surgimento de novas pragas, como a ferrugem de soja (um fungo nocivo), transformou o país no maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Superamos os EUA nesse quesito em 2008, quando o mercado de defensivos agrícolas movimentou mais de US$ 7 bilhões no país. A façanha tem consequências. Em junho passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou o relatório anual sobre a presença de resíduos de agrotóxicos nas frutas, verduras, legumes e grãos que o brasileiro consome. Das 2130 amostras de 20 culturas de alimentos estudadas pela agência em 2009, 29% apresentaram alguma irregularidade. Mas não é motivo para pânico. "O fato de um alimento apresentar resíduos de pesticida além do limite estabelecido não indica necessariamente risco para a saúde", diz a toxicologista Eloisa Caldas, da Universidade de Brasília. O ponto, segundo ela, é evitar uma dieta monótona. Quanto mais variada sua alimentação, menos chance você tem de comer o mesmo pesticida. E isso diminui o risco de intoxicação.

Mais seguro ainda é comprar alimentos orgânicos. Eles não recebem veneno em nenhum momento, desde o plantio até a gôndola do supermercado. Nem veneno nem fertilizante químico. Então são mais saudáveis para o ambiente. E a quantidade de nutrientes por centímetro cúbico é maior. O problema é que a produção da lavoura orgânica é, em média, 30% menor do que a convencional, e os vegetais que saem dela acabam 30% mais caros.

Estudos mostram que, mesmo assim, daria para alimentar o mundo só com orgânicos. Mas só se o consumo de carne diminuir. O que uma coisa tem a ver com a outra? É que boa parte do que plantamos é para alimentar animais de criação. Uma peça de picanha, por exemplo, exige 75 quilos de vegetais para ser produzida. Só que o mundo está cada vez mais carnívoro - a China, depois de ter virado a 2º maior economia do mundo, passou a comer 25% de toda a carne do planeta. Hoje temos 20 bilhões de animais de criação, e a perspectiva da ONU é que esse número vá dobrar até 2050.
Até existe um tipo de carne que não depende nada das plantações: os peixes selvagens. Mas eles não são alternativa. Primeiro, porque os mais nobres estão acabando. Algumas espécies de atum e de bacalhau não devem escapar da extinção. Segundo, porque existe o perigo da contaminação por mercúrio, pelo menos para quem come certos peixes com frequência.
Funciona assim: embora o metal possa ser encontrado em todos os ambientes, é no meio aquático que mora o perigo. Graças à ação de bactérias, sobretudo em zonas alagáveis, o mercúrio é transformado em sua forma orgânica e mais perigosa: o metilmercúrio. Nessa versão, ele penetra nas algas. As plantas aquáticas tem baixo teor de mercúrio, mas os peixes herbívoros (que se alimentam dessas plantas) tem um pouco mais. E os predadores (que comem os herbívoros) acabam com um índice bem maior. Quanto mais perto do topo da cadeira alimentar, mais contaminado tende a ser o peixe. Não significa que todo peixe grande esteja contaminado. Se ele vive numa região livre de mercúrio, o que é comum, não tem problema. Mas claro: quem vê cara não vê contaminação.
Você só tem como saber o estado dos peixes que comeu se acabar intoxicado - os sintomas são vertigem, tremores, perda de memória, problemas digestivos e renais, entre outros. Não, não precisa parar de comer esses peixes, só ter alguma moderação. Mas o risco não deve diminuir - o mercúrio é um resíduo das termoelétricas. E a maior parte do mundo ainda é movida a carvão...

Peixes contaminados, overdose de gordura e açúcar, fertilizantes que dependem de combustíveis fósseis e destroem ecossistemas... Estamos no fim da linha, então? Sim.
Mas já estivemos antes. Ontem mesmo era 1960, o mundo tinha 3 bilhões de habitantes e uma certeza: estávamos à beira de um colapso. Mais um pouco e não teria comida para todo mundo. Mas não. Chegamos a 6,5 bilhões de pessoas graças justamente à globalização dos fertilizantes e da comida industrializada - a produção em massa barateou os alimentos Esse boom alimentício ficou conhecido como Revolução Verde. Agora, precisamos de mais revoluções. Uma, a da conscientização sobre os perigos do fast food e da comida processada, já começou. E a ciência tem feito seu papel também, pesquisando alternativas que vão de plantas geneticamente modificadas que dispensam fertilizantes e pesticidas até carne de laboratório - um meio de entregar proteínas sem o intermédio de animais. Seria uma espécie de segunda Revolução Industrial da comida. Não sabemos como nem quando ela vai acontecer. Mas há uma certeza: não podemos ser bestas de esperar pelo colapso.