Help those suffering in the Horn of Africa

08 setembro 2010

Qual a nossa pegada ecológica?


Ou melhor, pra começar, sabem o que é pegada ecológica (Ecological Footprint)?
A melhor resposta, na minha opinião, é a que está no site da WWF: A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam seus estilos de vida. Em outras palavras, trata-se de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza” , em média, para se sustentar.
O site da WWF ainda tem um teste pra ver qual a sua pegada. O meu resultado ficou bem feio... precisaríamos de 3 planetas pra dar conta se todos tivessem o mesmo estilo de vida que eu tenho. E olha que nem carro eu uso!! Mas há dicas no site de como diminuir o tamanho da pegada! Vamos tentar né! :-)

05 setembro 2010

Alianças corporativas em prol da sustentabilidade - Jason Clay

Se tiverem tempo, vejam essa palestra - tem legenda em Português - do Jason Clay (presidente da WWF), que está trabalhando com grande empresas com o intuito de transformar o mercado em que elas atuam. Pois como as 100 maiores empresas do mundo são responsáveis por 25% do consumo das commodities que Jason e seu time mapearam como as mais críticas em termos de sustentabilidade, elas têm um poder de impacto impressionante.

Fatos interessantes que Clay comenta no vídeo:
  • em 1990 paramos de ter uma relação sustentável (1:1) com nosso planeta, e hoje vivemos de maneira não sustentável, usando 1,3 do planeta.
  • O crescimento da população assusta, porém o consumo de cada um de nós também tem relação com o caos que estamos vivendo. O americano médio consome 43 vezes maios que o africano.
  • A pegada ecológica de um gato europeu ao longo de seu ciclo de vida é maior que a de um africano. (um ser humano africano).
  • "Tudo que é sustentável num país com 6 bilhões de pessoas não será sustentável num mundo com 9 bilhões de pessoas."

Frankenfoods?


Frankenfood. Comida do Frankestein. Assim, nos anos 90, que foram apelidados os alimentos transgênicos por pessoas como Paul Mccartney, por exemplo, em sua campanha "Say no to GMO". Bom, apesar de toda essa movimentação de ativistas querendo causar impacto - e medo- nos consumidores, hoje 75% da soja e 25% do milho cultivados mundialmente são transgênicos. Traduzindo: há chances altíssimas de todos nós já termos comido - e estarmos comendo regularmente - OGMs. E nem sabíamos disso.
Como diz uma reportagem da última revista Exame, hoje as pesquisas não se concentram apenas em transgênicos que são resistentes a pragas e/ou pesticidas. Agora há foco nos "super alimentos", aqueles que são notavelmente mais ricos em determinada substância que faz bem à saúde de quem a consome. Por exemplo, a Monsanto só está aguardando a aprovação do governo americano para que se começe a comercialização do óleo da soja que foi especialmente desenvolvida para ter mais ômega 3. O gene das algas que são a base alimentar do Salmão (que é famoso por ter altas concentrações de ômega 3) foram isolados e enxertados na soja. Como resultado, a nova variedade de soja produz, em menos de meio hectare, a mesma quantidade de ômega 3 presente em 10 000 porções de salmão. A idéia então é produzir alimentos (barrinhas de cereais, margarinas, molhos) com esse benefício do alto teor de ômega 3.
O que vem alavancando as discussões sobre alimentos transgênicos são as crises de escassez de comida. Regiões como a África, onde se consome muito pouco e portanto soluções de alta produtividade, alto potencial nutritivo e poucas perdas são bem vindas. Previsões como as da ONU, que estima que a população mundial crescerá em 30% até 2050. Aumento do consumo de carne pela classe média de número esmagador de países como China e Índia. Todos esses fatores levam os cientistas e empresas a pensar em soluções para aumento da produção de alimentos. E ninguém vem prosperando tanto ultimamente nessa área como a indústria de OGMs.
Sim, tivemos a Revolução Verde, que aumentou a produtividade das plantações por meio de técnicas de cultivo e irrigação. Porém, há alegações de que tais técnicas não serão suficientes para produzir o bastante para o tamanho da população mundial no futuro.
Além disso, defensores dos transgênicos alegam que eles são tão vantajosos quanto a agricultura orgânica, no sentido de que usam menores volumes de pesticidas e fertilizantes. Isso é uma alegação consistente. Pensar em equiparar o aumento da produção de alimentos previsto com proporcional aumento no uso desses produtos não é sustentável. A terra vai colapsar. Os sistemas ambientais vão colapsar. Há de se pensar em alternativas. Os OGMs seriam uma delas?
Bom, eles já estão aí. E tem mais: A empresa americana AquaBounty está esperando, apesar de protestos de ativistas, apenas a aprovação final do governo para poder comercializar de seu salmão transgênico - que, atinge o tamanho de abate na metade do tempo dos salmões "tradicionais". Além disso, pesquisadores da Universidade de Guelph (Canadá), estão atrás da aprovação para seu Enviropig (o "ecoporco"). Eles enxertaram um gene de rato nos do porco, para que suas fezes sejam menos poluentes, e garantem que sua carne é absolutamente segura para consumo humano.
O maior motivo de várias entidades serem contra os transgênicos, é o fato deles serem recentes, e o receio de estarmos sendo uma grande geração de cobaias. De fato, só saberemos se há consequências sérias de seu cultivo ou consumo daqui a algum tempo. Mas a pressa para aprovação é grande por parte das empresas. Como demoram muito pra ser aprovados, a pesquisa é inviabilizada, pois a patente pode expirar enquanto a empresa ainda luta por sua comercialização.
Como afirma a reportagem, a empresa Syngenta participou da criação do Golden Rice, arroz enriquecido com vitamina A , que é responsável por mais de 1 milhão de mortes por ano em países como Bangladesh e Vietnã. Esse produto não chegou ao mercado ainda, está pendente de aprovacão. Produtos similares, como a cenoura rica em cálcio, o tomate com mais antioxidantes e a mandioca fortificada com ferro, zinco e outras vitaminas, já foram desenvolvidos por cientistas, mas é impossível saber quando chegarão ao mercado. Como têm menor potencial comercial que soja ou milho, quem bancará os custos da aprovação?
O interessante é que as pesquisas para transgênicos vem se tornando comum em países do terceiro mundo. Em Uganda, há estudos para lançar a banana resistente a pragas, na China, já foi aprovado o plantio de arroz e milho transgênicos; a Embrapa lançou uma soja transgênica, feita em parceria com a Basf. O próximo alvo da Embrapa é um dos pilares da mesa brasileira, o feijão. O objetivo é criar um feijão que resista à praga do mosaico dourado, vírus que pode destruir até 100% da safra.
Por enquanto, a maioria dos transgênicos tem beneficiado o produtor (maior produtividade, maior resistência a pragas, menor ciclo de produção). A tendência agora é beneficiar também o consumidor - doses elevadas de vitaminas, conter um componente interessante à saúde em doses elevadas (vide o caso do ômega 3). Agora resta esperar a aprovação. A revolução já começou. Cedo ou tarde, eles vão estar na sua mesa.

Fonte, dentre outras: Revista Exame, 31/08/2010

02 setembro 2010

Sobre o comércio de alimentos - Japão

Pessoal, videozinho muito legal - e também muito parecido com aquele do Canadá que já postei por aqui - sobre a quantidade de alimentos que o Japão importa do exterior, e o quão vulnerável ele se tornou desde que os padrões alimentares do seu país começaram a mudar (agora os japoneses estão comendo mais carne e gordura, contrariamente a sua dieta à base de peixe, arroz e vegetais de antigamente).
Este país agora importa uma vasta quantidade de alimentos de um número restrito de fornecedores do exterior, o que os coloca em uma situação delicada.
No final do vídeo, o autor chama os telespectadores a pensar na situação mundial do comércio de alimentos como responsabilidade de todos. Ao fazer uma escolha no supermercado, estamos "votando" em quais serão os alimentos que terão demanda (os nacionais x importados, os sustentáveis x industriais, os caros x baratos).



Via Maffchannel

Manteiga x Margarina

Esse é um tópico interessante... e polêmico. A gente está acostumado a ouvir dizer que margarina é melhor que manteiga, que manteiga não faz bem à saúde, etc... Mas vamos pensar de maneira clara: do que é feita a manteiga? Creme de leite e sal.
E a margarina? Bom,
a margarina é tem 80% de gordura e 16% de água. E logicamente, vários outros ingredientes (água ou gordura solúvel) são adicionados para dar sabor e aroma. Também há gorduras solúveis em água: leite desnatado, sal, preservativos permitidos como láctico, cítrico, tartárico e ácido fosfórico e/ou leite. Ainda, corantes naturais (beta-caroteno/palma carotenos), sabor (aroma de manteiga), lecitina, vitaminas, antioxidantes, emulsificantes e estabilizantes.
Lendo isso, o que parece mais sensato? Comer manteiga ou margarina. Eu já fiz minha escolha. Até porque manteiga não tem comparação em termos de sabor. É só maneirar. Mas isso vale pra tudo na vida, certo? ;-)
Vejam o videozinho abaixo falando da origem da margarina e da manteiga. Veja de quê cada uma delas é feita, e também o fato interessante de que ainda há locais que proíbem o corante amarelo para margarinas, para que não se dê a ilusão de que o consumidor está comprando manteiga..

Butter & Marge: A Tale of Two Spreads from Outside Line on Vimeo.



Orgânico x Sustentável

Via Good

Vocês acreditam que uma companhia multinacional gigante possa ter os mesmos interesses que uma pequena empresa de produtos orgânicos? Independentemente, isso é o que vem acontecendo. Gigantes de alimentos vem comprando empresas de produtos orgânicos, e continuam a comercializar seus produtos com os nomes dessas empresas, para que se não perceba tal movimento.
O infográfico acima mostra quem realmente é dono das principais marcas de produtos orgânicos americanas. Interessante, pra dizer o mínimo.
A questão é: a partir do momento que uma empresa de produtos orgânicos passam a operar sob as diretrizes de gigantes industriais, elas continuam fiéis ao seu propósito? Logicamente, seus produtos continuarão a ser orgânicos, do contrário eles perderão sua certificação. Mas serão sustentáveis? É coerente um produto ser orgânico mas não ser sustentável? Faz sentido?

01 setembro 2010

A revolução da comida


Oi pessoal, ando sumida ultimamente porque estava de férias. Agora voltei cheia de coisa pra escrever!
Vocês por acaso assistiram o programa do Jamie Oliver : Food Revolution (a revolução da comida, que está indo ao ar no GNT aqui no Brasil)? É muito interessante. Lógico que é editado de maneira a provocar um choque nos telespectadores, afinal de contas a audiência é importante, mas as causas que levaram o programa a existir são intrigantes.
Jamie mostra sua experiência em uma cidade americana(Huttington, West Virginia), conhecida como a cidade menos saudável de lá. Logicamente enfrentou resistência da população, que o achou pretensioso demais para sair da Inglaterra e se alojar em sua cidade para lhes dizer o que devem comer. Mas o problema é que a maioria da população está com sobrepeso e morrendo de doenças relativas à obesidade, e Jamie resolveu então começar pelas crianças: mudando a merenda escolar.
Num dos episódios mais interessantes até agora, ele mostra às crianças como são feitos alguns nuggets de frango (item presente no almoço ou jantar ou até em ambos de todas as crianças de lá) . Ele pega um pequeno grupo de alunos da escola de seu projeto e mostra toda a carcaça do frango e partes de sua carne sem proveito comercial sendo moídas no processador, depois adicionadas de farinha e aditivos químicos para realçarem o sabor de "frango"- até aí, as crianças faziam cara de desgosto e nojo.
Então, Jamie pega pedacinhos pequenos dessa mistura, os achata em forma de nuggets e empana com farinha. Então coloca os pedaços na frigideira. E finalmente pergunta: vocês comeriam isso? A resposta (surpreendente): Siiiimmmmmmm.
Jamie fica perplexo. Pergunta por que, mesmo vendo as coisas nojentas que fazem parte da produção do frango empanado, as crianças comeriam os nuggets. A resposta: Porque estamos com fome.
A questão é: Pode ser lixo, carcaça, aditivo, químico, soja e milho de excedente de produção, enfim, qualquer porcaria. Apenas o apresente de maneira bonitinha, adicione realçadores de sabor e coloque em uma embalagem atrativa. As crianças comerão. Chocante, não?


É, não é boato mesmo...
Apesar de esperarmos que qualquer coisa feita de material orgânico se deteriore / estrague depois de certo tempo, um teste feito pela artista Sally Davis com um lanche e um pacote de fritas do McDonalds vem provando o contrário... Depois de 137 dias (completados agora em Agosto último) esses itens parecem ter pouco sofrido algum tipo de alteração.. A foto acima comprova isso.
Agora, se comida estraga, devemos chamar isso de comida? Ou eles se enquadram em uma categoria especial?
Se tiver interesse, pode checar o progresso completo do experimento aqui.