Help those suffering in the Horn of Africa

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09 abril 2011

Transgênicos ao redor do mundo

Vejam esse mapa que mostra os países que cultivam transgênicos e quais são os principais produtos. Vejam que o Brasil, apesar de maior em território, produz praticamente o mesmo volume que a Argentina, que há muito já planta soja transgênica. Vejam também a grande resistência da União Européia (com exceção de Portugal e Espanha, que plantam milho) a plantações de sementes geneticamente modificadas. É só clicar no gráfico pra descobrir os valores e o tipo de produto plantado.


via chartsbin.com

09 novembro 2010

Orgânico: pro produtor e pro consumidor


O movimento orgânico começou como uma reação aos fertilizantes sintéticos, mas logo também reagiu contra muitos aspectos da agricultura moderna, como pesticidas químicos, antibióticos preventivos, monoculturas, e OGMs.

Fertilizantes: A agricultura orgânica usa rotação de culturas, compostagem e adubos orgânicos para resolver os problemas de fertilidade do solo. Isso envolve bastante trabalho manual, e é por isso que a medida que a agricultura "evoluía", encontravam-se meios para agilizar o processo: fazer o superfosfato (originado de ácido sulfúrico e rochas de fosfato), ou fabricação de amônia (que consome 2% de toda a energia usada no mundo).

Pesticidas: A rotação de culturas, aplicada nas fazendas orgânicas, é um método eficaz de se evitar pestes, pois as plantações ficam um passo à frente das doenças. A aplicação irresponsável de pesticidas, por outro lado, leva a problemas na formação de fetos, e também foi ligada a alguns tipos de câncer. Vou postar o link para um gráfico interativo sobre os resíduos de pesticidas em cada tipo de alimento.

Diversidade de culturas: Cultivar somente um produto em grandes áreas, sem mudar, é perigoso pois expõe a cultura às mesmas condições e doenças por um longo período, sendo necessário muito esforço, e remédios, para evitar pestes. Há hoje em dia, OGM's que resistem  a pesticidas, porém o seu uso pressupõe o uso de pesticidas, o que já não é uma coisa boa... É uma dependência desnecessária.

Criação de animais: As "factory Farms" ou CAFOs são diretamente associadas ao crescimento do uso de hormônios, vacinas, antibitióticos (mesmo de maneira preventiva). As condições apertadas ali facilitam o surgimento de doenças, e o rápido contágio por todos os outros animais. Por isso tantos cuidados têm que ser tomados.

Argumentos contra: o que mais pesa contra a Agricultura Orgânica é seu custo, maior do que o dos outros produtos, e logicamente repassado ao consumidor. A diferença varia bastante dependendo do produto, cenouras podem ter um custo bem próximo, enquanto que ovos orgânicos são muito mais caros (200%) que os convencionais. Além disso, especialistas questionam a capacidade da agricultura orgânica de suprir os mesmos volumes da agricultura convencional. Já foi provado, em um estudo da Cornell,  que culturas de soja e milho orgânicos produzem o mesmo montante que as convencionais, mesmo usando 30% a menos de energia. Já morangos orgânicos, por exemplo, dão  frutos menores e mais esparsos - apesar de mais densos, nutritivos e saborosos.

 Minha opinião sobre tudo isso: do ponto de vista do consumidor, os produtos convencionais devem ser preteridos a favor dos orgânicos, sempre que possível. Quando não possível, observar sempre os produtos com maior acúmulo residual de pesticidas e evitá-los ao máximo. Do ponto de vista do produtor: o orgânico deve passar a ser visto com outros olhos. Olhos de produtividade, de oportunidade, de nicho de mercado, de conservação do solo e recursos da sua propriedade. E, quando não possível migrar para o cultivo orgânico, aplicar técnicas deste cultivo ao seu sistema atual. Rotação de culturas (economia com fertilizantes e pesticidas), compostagem (de novo, economia com fertilizantes e aproveitamento de resíduos dos animais da própria fazenda) são exemplos que podem ser aplicados ao cultivo tradicional, diminuindo o peso no bolso - e na consciência - do produtor.

Fonte: Mother Nature Network

05 setembro 2010

Frankenfoods?


Frankenfood. Comida do Frankestein. Assim, nos anos 90, que foram apelidados os alimentos transgênicos por pessoas como Paul Mccartney, por exemplo, em sua campanha "Say no to GMO". Bom, apesar de toda essa movimentação de ativistas querendo causar impacto - e medo- nos consumidores, hoje 75% da soja e 25% do milho cultivados mundialmente são transgênicos. Traduzindo: há chances altíssimas de todos nós já termos comido - e estarmos comendo regularmente - OGMs. E nem sabíamos disso.
Como diz uma reportagem da última revista Exame, hoje as pesquisas não se concentram apenas em transgênicos que são resistentes a pragas e/ou pesticidas. Agora há foco nos "super alimentos", aqueles que são notavelmente mais ricos em determinada substância que faz bem à saúde de quem a consome. Por exemplo, a Monsanto só está aguardando a aprovação do governo americano para que se começe a comercialização do óleo da soja que foi especialmente desenvolvida para ter mais ômega 3. O gene das algas que são a base alimentar do Salmão (que é famoso por ter altas concentrações de ômega 3) foram isolados e enxertados na soja. Como resultado, a nova variedade de soja produz, em menos de meio hectare, a mesma quantidade de ômega 3 presente em 10 000 porções de salmão. A idéia então é produzir alimentos (barrinhas de cereais, margarinas, molhos) com esse benefício do alto teor de ômega 3.
O que vem alavancando as discussões sobre alimentos transgênicos são as crises de escassez de comida. Regiões como a África, onde se consome muito pouco e portanto soluções de alta produtividade, alto potencial nutritivo e poucas perdas são bem vindas. Previsões como as da ONU, que estima que a população mundial crescerá em 30% até 2050. Aumento do consumo de carne pela classe média de número esmagador de países como China e Índia. Todos esses fatores levam os cientistas e empresas a pensar em soluções para aumento da produção de alimentos. E ninguém vem prosperando tanto ultimamente nessa área como a indústria de OGMs.
Sim, tivemos a Revolução Verde, que aumentou a produtividade das plantações por meio de técnicas de cultivo e irrigação. Porém, há alegações de que tais técnicas não serão suficientes para produzir o bastante para o tamanho da população mundial no futuro.
Além disso, defensores dos transgênicos alegam que eles são tão vantajosos quanto a agricultura orgânica, no sentido de que usam menores volumes de pesticidas e fertilizantes. Isso é uma alegação consistente. Pensar em equiparar o aumento da produção de alimentos previsto com proporcional aumento no uso desses produtos não é sustentável. A terra vai colapsar. Os sistemas ambientais vão colapsar. Há de se pensar em alternativas. Os OGMs seriam uma delas?
Bom, eles já estão aí. E tem mais: A empresa americana AquaBounty está esperando, apesar de protestos de ativistas, apenas a aprovação final do governo para poder comercializar de seu salmão transgênico - que, atinge o tamanho de abate na metade do tempo dos salmões "tradicionais". Além disso, pesquisadores da Universidade de Guelph (Canadá), estão atrás da aprovação para seu Enviropig (o "ecoporco"). Eles enxertaram um gene de rato nos do porco, para que suas fezes sejam menos poluentes, e garantem que sua carne é absolutamente segura para consumo humano.
O maior motivo de várias entidades serem contra os transgênicos, é o fato deles serem recentes, e o receio de estarmos sendo uma grande geração de cobaias. De fato, só saberemos se há consequências sérias de seu cultivo ou consumo daqui a algum tempo. Mas a pressa para aprovação é grande por parte das empresas. Como demoram muito pra ser aprovados, a pesquisa é inviabilizada, pois a patente pode expirar enquanto a empresa ainda luta por sua comercialização.
Como afirma a reportagem, a empresa Syngenta participou da criação do Golden Rice, arroz enriquecido com vitamina A , que é responsável por mais de 1 milhão de mortes por ano em países como Bangladesh e Vietnã. Esse produto não chegou ao mercado ainda, está pendente de aprovacão. Produtos similares, como a cenoura rica em cálcio, o tomate com mais antioxidantes e a mandioca fortificada com ferro, zinco e outras vitaminas, já foram desenvolvidos por cientistas, mas é impossível saber quando chegarão ao mercado. Como têm menor potencial comercial que soja ou milho, quem bancará os custos da aprovação?
O interessante é que as pesquisas para transgênicos vem se tornando comum em países do terceiro mundo. Em Uganda, há estudos para lançar a banana resistente a pragas, na China, já foi aprovado o plantio de arroz e milho transgênicos; a Embrapa lançou uma soja transgênica, feita em parceria com a Basf. O próximo alvo da Embrapa é um dos pilares da mesa brasileira, o feijão. O objetivo é criar um feijão que resista à praga do mosaico dourado, vírus que pode destruir até 100% da safra.
Por enquanto, a maioria dos transgênicos tem beneficiado o produtor (maior produtividade, maior resistência a pragas, menor ciclo de produção). A tendência agora é beneficiar também o consumidor - doses elevadas de vitaminas, conter um componente interessante à saúde em doses elevadas (vide o caso do ômega 3). Agora resta esperar a aprovação. A revolução já começou. Cedo ou tarde, eles vão estar na sua mesa.

Fonte, dentre outras: Revista Exame, 31/08/2010

27 julho 2010

Risco ou Solução


O que vocês acham dos alimentos transgênicos? Mais um risco pra gente correr, ou uma solução para os problemas da fome desnutrição mundial? Enfim, se formos analisar a fundo, fica difícil separar a linha tênue entre os interesses econômicos na biotecnologia (produções maiores a menor custo) versus os benefícios à sociedade e ao meio ambiente trazidos pelo cultivo de organismos geneticamente modificados.

Os alimentos, logicamente contêm nutrientes orgânicos, e o alimento Transgênico possui organismos de outras espécies (mais comumente bactérias) - algumas propriedades dessas bactérias são desejáveis e se espera que elas se manifestem nos alimentos em que foram inseridas. Há genes bacterianos que, por exemplo, dão resistência a pragas da lavoura, há outros que são resistentes a inseticidas/pesticidas necessários à produção em grande escala (tanto o OGM quanto o pesticida são fabricados pela mesma empresa, got it?)

Assim, olhando de longe, transgênicos parecem ser "the way to go"... certo? São fáceis de predizer, de alta produtividade, resistentes a remédios, completamente controlados... Aí é que está. Até que ponto esses genes realmente alteraram a célula em que foram inseridos? Tenho lido a favor e quanto mais leio, menos sei... E parece que o mundo científico está longe de chegar num acordo.. Vou confessar que quando leio de um lado, entendo seu ponto de vista, quando leio de outro lado, também entendo perfeitamente suas acusações e receios... Na realidade, o assunto dos OGMs se mescla com vários outros assuntos frágeis de impacto em todo o mundo - poder, grandes corporações, ética, meio ambiente, pequenos agricultores, fome, subnutrição... Ou seja, os nervos ficam aflorados e o consenso parece cada vez mais difícil.

O Grande risco que EU vejo aí é que a produção seria controlada (por meio de patentes) e se os transgênicos fossem disseminados, os pequenos agricultores ver-se-iam obrigados a comprar sementes pelo preço imposto pelas grandes empresas. Já há algo do tipo ocorrendo na América do Norte, há fiscais dessas empresas monitorando pequenas propriedades para se certificarem que não estão plantando suas sementes sem o devido registro/pagamento. Seria algo como tomar propriedade de algo da natureza.

Outra coisa importante. Como o advento dos transgênicos é relativamente recente, quem garante se eles realmente não são prejudiciais? E eu não estou falando de prejudicial ao meio ambiente (afetando cadeias alimentares), estou falando de prejudicial à saúde no longo prazo... Quem garante que não há conexão entre as doenças da modernidade (câncer, obesidade, problemas cardíacos) com os hábitos alimentares? enfim, é muita dúvida. E se for pra ficar com tanta minhoca na cabeça, eu prefiro optar pelo natural... Até que me convençam do contrário...

EM TEMPO: O Prêmio Nobel da Paz norte-americano, Norman Ernest Borlaug, dizia que a agricultura intensiva era a solução para a fome. Borlaug desenvolveu variedades de trigo e de um pacote de técnicas agrícolas para Índia, no Paquistão e nas Filipinas nos anos 1960, ajudando países do Terceiro Mundo a se tornarem autossuficientes na produção de grãos, rompendo um ciclo histórico de baixa produtividade e dependência extrema de chuva que matava de fome dezenas de milhões em certas regiões durante secas anormais.

Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1970, e foi atacado por ambientalistas: o pacote de práticas agrícolas exportado para a Ásia, que depois virou padrão no mundo todo, incluía o uso maciço de fertilizantes à base de nitrogênio - poluentes da água - e levou à expansão acelerada da área cultivada no mundo, inclusive no Brasil, à custa dos ecossistemas. Mas, se mantivéssemos, por outro lado, os padrões de cultivo de anos atrás, sem o uso de fertilizantes, estaríamos agora sem terras de tudo... Predativismo também não funciona.

Dr. Borlaug dizia que as controvérsias sobre os alimentos transgênicos são emocionais, e até a presente data, nenhuma fonte científica indicou exatamente o que pode e o que não pode causar a bactéria que deu origem aos transgênicos, além dos potenciais fatores positivos que os transgênicos podem trazer como diminuição do custo, aumento da resistência na lavoura e etc.

E você, o que você acha?